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A idéia de se utilizar a leitura como instrumento de socialização
surgiu da necessidade de se aproximar educandos oriundos do contexto
socioeconômico e cultural distintos. A relação entre eles a princípio
era conflituosa. A partir dessa percepção, tornou-se aos poucos
dialógica, graças aos recursos alternativos utilizados no dia-a-dia
na Oficina de Comunicação, tais como exibição de documentários em
vídeos, leitura compartilhada de textos literários voltados para
a reflexão.
A opção da educadora em trabalhar esses tipos de textos deveu-se
ao fascínio que as histórias exercem no universo infanto-juvenil.
Momentos em que o distanciamento entre eles tornava-se praticamente
nulo. Surge o interesse crescente pela leitura. Oportunidade para
que se posicionassem criticamente através da linguagem oral e escrita.
O prazer de ler e escrever demonstrado pelos educandos motivou a
criação da oficina Exercitando a Linguagem, em 1999. A oficina
visava ao falar, ao escrever bem e ao interpretar com práticas de
leituras de textos formatiivos, informativos e técnicos, narrativos,
descritivos, dissertativos e publicitários para compreender idéias
básicas, desvelar contradições e posicionar-se imprimindo sua marca
à produção escrita, que dá suporte ao Jornal Araçá.
É através do texto que se dá o ensino de linguagem; é no texto,
é do texto que se criam situações significativas de aprendizagem.
Essa ciência e essa arte do bem falar, do bem escrever e do bem
interpretar na visão da consagrada escritora Clarice Lispector é
árdua, porém imensamente prazerosa. Visão que se concretiza nos
depoimentos dos educandos-leitores-autores.
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